Quando terminei de organizar o roteiro de entrevistas, percebi que eu teria que pensar em como sistematizar os dados coletados antes de partir para o campo propriamente dito. O roteiro tinha trinta questões, várias perguntas dissertativas ou com mais de uma possibilidade de resposta. Se eu fosse simplesmente anotar em um formulário padrão as respostas, o fim do mundo (previsto para 2012) chegaria na minha porta bem antes! Assim, eu precisava encontrar uma solução que facilitasse a minha vida e fosse também acessível aos meus sujeitos da pesquisa. Encontrei o Google Docs que permite elaborar formulários com questões abertas e fechadas, com envio do link apenas para os sujeitos que queremos entrevistar. O formulário é bem simples de elaborar, exitem várias opções de formatação que deixam o formulário com um layout bacana e a principal vantagem: podemos tabular os dados na planilha eletrônica! A estratégia deu certo e os meus sujeitos da pesquisa responderam as trinta questões formuladas de forma satisfatória (foram setenta e oito sujeitos pesquisados). Para quem não conhece o Gdocs, vale a pena dar uma olhada e pensar em novas formas de acesso aos sujeitos e compartilhamento dos arquivos com outras pessoas. Quem quiser conhecer o formulário utilizado na primeira parte da pesquisa, é só clicar aqui.
sábado, 21 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Os sujeitos da pesquisa
Passei o ano todo em 2011 realizando as entrevistas da primeira parte da pesquisa. O primeiro momento da pesquisa tem como objetivo coletar dados mais abrangentes que possam retratar a realidade de um grupo maior de sujeitos. O meu maior problema é que os recortes são muito precisos, o meu sujeito tem que ser egresso ou concluinte de uma licenciatura a distância, ser professor da rede pública de ensino, estar efetivamente em sala de aula e residir na Paraíba ou Pernambuco. Parece fácil, mas selecionar os sujeitos foi uma áfrica! Consegui 78 sujeitos respondentes na primeira etapa (a meta inicial era 150 professores) e selecionei 25 para aprofundar as questões da pesquisa. Na primeira parte, os professores responderam 30 perguntas sobre o seu perfil (questões fechadas), sobre o contexto das suas escolas e sobre a sua prática em sala de aula com o uso da tecnologia digital (questões abertas em formato de texto). Imaginem a quantidade de dados! Entre louca e pirada, comecei a organizar as respostas e para a minha completa surpresa, foram surgindo mais perguntas ainda! Ohhhhh... O problema, ou melhor, a solução foi que quanto mais os resultados me surpreendiam, mais eu queria aprofundar as questões e encontrar novas nuances. A questão inicial da pesquisa se desdobrou em muitas outras e o redirecionamento do trabalho fez com que os objetivos fossem muito além do que eu pretendia. É claro que vou contar todos os detalhes aqui no blog, just wait!
domingo, 15 de julho de 2012
Uma breve justificativa
A intenção inicial ao escrever um blog sobre a minha pesquisa, era compartilhar uma espécie de diário da pesquisa científica com outros professores, orientandos e alunos. Entretanto, a realidade da pesquisa é bem diferente do que eu pensava inicialmente. Os processos de construção da teoria que exigem a leitura de toneladas de textos, matariam de tédio os leitores se eu fosse descrever todo o percurso da leitura, as dúvidas e as possíveis conclusões. Não, queridos, eu não faria isso com vocês. Outra questão essencial é a ética na pesquisa. A ética não diz respeito apenas ao tratamento dos sujeitos e dos dados, mas também ao processo de divulgação. Como publicar dados que ainda estavam em análise? Ao publicar qualquer coisa na rede, estamos referendando as informações que podem ser utilizadas por outras pessoas (na perspectiva do Creative Commons, é claro!). Aqui temos dois problemas: o primeiro é que só posso compartilhar informações validadas, consistentes e assinadas com o meu nome e sobrenome para que possam servir de referência científica para outras pessoas. O segundo problema é que tenho como prática divulgar na rede tudo o que eu produzo (artigos, livros, vídeos etc.) mas só depois que foram publicados em algum lugar. Faço isso não porque me preocupo em ser copiada por alguém, acredito que ser copiada é, em última análise, uma honra porque alguém achou que o meu texto era bom o suficiente para colocar o seu nome nele (ironia mode on, como diria meu amigo Sérgio Lima). A questão é que sempre existe a possibilidade de alguém dizer que eu copiei os dados e não o contrário (sim, parece incrível, mas isso acontece). Para evitar qualquer problema, prefiro compartilhar o que já está registrado em algum lugar. Assim, o blog será agora uma síntese da pesquisa que realizei nos últimos dois anos, com descrição dos percursos realizados, ajustes, dados e resultados. Uma espécie de relatório de pesquisa no formato de um blog. Bem mais palatável para ler (vou incluir até os palavrões que precisei utilizar em alguns momentos), mas com todos os dados no formato que exige o pensamento científico. Espero, sinceramente, que vocês gostem e que a experiência sirva para alguma coisa!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Primeira compra

Depois de resolvido o problema do depósito no Banco do Brasil, me preparei para o primeiro desafio: fazer compras! Analisei a planilha enviada ao CNPq novamente, pesquisei em várias lojas e consegui comprar um computador excelente com dois anos de garantia: o Sony Vaio! Ele não é lindinho? Fiquei em dúvida entre ele e um HP, mas como essas máquinas são frágeis e precisam trabalhar a pleno vapor, decidi pelo prazo de garantia do Sony Vaio. Ele tem uma configuração excelente para o que eu preciso e um processador potente, além de ter me livrado do Vista para sempre! Eu comprei um Acer em fevereiro e precisei formatar a máquina agora porque o maldito Vista vivia travando. O detalhe surrealista da compra é que a loja não libera o equipamento até a compensação do cheque do CNPq! Alôuuu? É um cheque do CNPq! Eles conhecem bem o procedimento, é preciso recibo, nota fiscal detalhada e cópia do cheque para a prestação de contas, mas levar o equipamento, só depois de receber o dinheiro. Agora, vou começar a organizar o cronograma da pesquisa e tratar os dados iniciais que já foram coletados. Muito trabalho pela frente, mas uma felicidade enorme de estar fazendo exatamente o que eu sempre quis!
# Não adianta, em clima de eleições presidenciais, fico me perguntando se eu teria a oportunidade de receber financiamento do CNPq em um governo do PSDB. É claro que não, porque eu não teria sequer feito o concurso já que no governo de FHC as Universidades ficaram à mingua. Tenho muito orgulho de ter um presidente que (mesmo não tendo nível superior) reconhece e valoriza o ensino público gratuito.
# Existe uma lenda aqui em casa que diz que eu ando, digamos, econômica demais (ou segundo as minhas filhas, pão-dura mesmo). Quando eu percebi que estava com pena de gastar o dinheiro do projeto e fiquei procurando os equipamentos mais baratos, percebi que é verdade: estou mesmo ficando pão-dura! :)
sábado, 9 de outubro de 2010
Emoções no Banco do Brasil
Bom, depois do projeto aprovado o primeiro passo foi abrir uma conta especial (Tipo B) no meu, no seu, no nosso, Banco do Brasil! Não me entendam mal, eu acredito muito no BB como instituição e patrimônio nacional, mas não podemos negar que enfrentar o atendimento face to face na agência com seus trocentos mil correntistas, é tarefa para os mais corajosos. Depois de aprovar o projeto no CNPq não seria apenas um mero detalhe que iria dificultar a minha vida. Como eu já sabia que o procedimento para esse tipo de conta é complexo, escolhi uma agência grande onde, provavelmente, os gerentes saberiam como encaminhar o processo para abertura da conta. Olha, foi o ó, mesmo com toda a boa vontade do pessoal. Levei duas horas dentro do banco e na hora de finalizar o processo, o sistema caiu! Felizmente eu já tinha o número da conta e pude encaminhar para o CNPq. Alguns dias depois, recebi um e-mail do CNPq avisando que a conta não estava ativa. Volto no banco para descobrir o mistério e segue-se um diálogo maduro: - Está ativa! - Não está, o CNPq me informou via e-mail. - Mas olha, o sistema diz que está. - Bom, então o sistema precisa dizer para o CNPq também que está, senão não adianta nada! E por aí foi... Resolvi o problema com o procedimento lavo-minhas-mãos-de-pilates: encaminhei o telefone do banco e o nome do gerente da conta para o CNPq. Afinal, em briga de cachorro grande, a chihuahua corre para dentro da bolsinha da sua dona...
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Projeto de Pesquisa Aprovado no CNPq

O meu primeiro desafio como professora da UFPE foi aprovar um projeto de pesquisa. Aproveitei o edital Enxoval da Propesq para pesquisadores recém-doutores e consegui aprovar o projeto Letramento Digital, Autoria e Colaboração em Rede: Os professores da Educação Básica e o Papel das Licenciaturas a Distância na Apropriação das Tecnologias Digitais. Com a aprovação, recebi um computador e uma impressora a laser, além de garantir uma carga-horária menor na graduação. Seguindo os conselhos da experiente Verônica Gitirana (minha colega de sala e do grupo de pesquisa), enviei o projeto para os editais abertos do CNPq. Consegui aprovar o projeto na primeira tentativa e fiquei toda fofa com o resultado do Edital 02/2010 do MCT/CNPq/MEC/CAPES. O projeto é a continuação da minha tese de doutorado e tem como objetivo geral investigar as mudanças paradigmáticas na prática docente dos professores da rede pública concluintes de cursos de Licenciatura a distância, a partir da apropriação dos dispositivos tecnológicos e consolidação da cultura digital, através da utilização das ferramentas de autoria da chamada Web 2.0. Segundo o CNPq, foram aprovados 604 projetos de pesquisa para o desenvolvimento científico, social e tecnológico do País, no âmbito das Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas. Ao todo serão investidos R$ 8 milhões, sendo 50% da CAPES e 50% do CNPq. Mesmo o meu financiamento sendo um ínfima parte dos recursos totais do projeto (mas ainda assim vou poder comprar equipamentos, fazer viagens e contratar serviços de terceiros), estou muito empolgada com a perspectiva de ser uma professora-pesquisadora de verdade. Agora, é desenrolar a burocracia e prosseguir com as próximas etapas!


